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Furacão Irma, conexão Alabama


…interessante vivenciar como vivem os sulistas, suas tradições, sua culinária e sua hospitalidade – algo que cultivam com
muito carinho…


Quando criança, costumava cantarolar uma musiquinha que tinha o seguinte refrão: “Oh, Suzanna / Não chore por mim / Eu fui pro Alabama / Tocando tamborim”.
Pois é, não fui tocar tamborim, mas fui para Alabama fugindo do furacão Irma, que castigou o Caribe, a Flórida e outros estados  americanos, inclusive,
vejam só a ironia, o próprio Alabama.

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A cidade escolhida foi Auburn – da qual apenas havia ouvido falar por causa dos resultados de futebol americano -, no leste do Alabama. Os filhos, já
com a mentalidade americana, pressionaram para deixar o Sul da Flórida sob risco de sermos levados pelos fortes ventos trazidos por Irma e pelos alagamentos
que certamente deixariam as cidades quase submersas. Relutei, porém, admito que as imagens dos  estragos causados pelo furacão Harvey em  Houston e
os boletins cada vez mais catastróficos dos meteorologistas das redes de TV me deixaram em dúvida. Será que devo ficar ou ir?

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Florida Gov. Rick Scott

Voto vencido, embarcamos em dois carros em uma aventura pelo Sul dos Estados Unidos. Um dia foi reservado para chegar até Central Flórida, um pouco à
frente de Orlando, que também vivia o frenesi da catástrofe se avizinhando. Aliás, Orlando foi o local sugerido por mim como refúgio seguro, no
entanto, os boletins assombravam cada vez mais ao confirmarem que todo estado da Flórida seria engolfado pelo furacão gigante e poderoso, trazendo
ventos devastadores de mais de 170 milhas por hora e alternando-se entre Categoria 4 e 5 – ambos bastante destruidores.

blog irma

O duro é que não fomos os únicos a deixar o Sul da Flórida na quinta-feira, 7 de setembro. Confesso que já comemorei de maneira mais agradável a data
que celebra Independência do Brasil. Por sinal, o mês de setembro no Sul da Flórida que havia sido dedicado aos eventos brasileiros está sendo
substituído pelos furacões, porque atrás do Irma está vindo furacão José. Felizmente, este parece que vai desfazer-se na imensidão do Oceano
Atlântico.

Após dormir em Clermont, viajamos mais dez horas percorrendo todo o Norte da Flórida, parte considerável da Geórgia até chegar ao Alabama. O consolo
foi poder ver as plantações nas localidades, o modo de vida interiorano  do Sul dos EUA que, em muitos casos, se assemelha bastante ao do Brasil.
Na Flórida, predominam as plantações de laranja – inclusive com  barracas na beira da estrada para vender as frutas colhidas diretamente dos pomares.
No Estado da Geórgia, onde o pêssego é considerada a fruta símbolo, vimos bastante plantações de amendoim e pecan. Vale lembrar, inclusive, que
Jimmy Carter, o mais velho ex-presidente americano vivo, era produtor de amendoim. Por fim, em Alabama prevalece o algodão,  pois este estado sulista
alinha-se ao Mississippi como grande produtor de algodão. Ambos, usavam  bastante mão de obra escrava, assim como os demais estados sulistas.

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Depois de instalados em dois quartos de hotel, quatro adultos e três gatos aguardavam pacientemente a passagem devastadora do furacão Irma para poder
voltar aos seus lares no Sul da Flórida – minha filha mora em Miami, ao lado da baía de Biscayne, e nosso apartamento fica na região Oeste de Broward,
perto de Everglades. Logicamente, esperamos encontrar tudo com pouco estrago ao retornar, porém o destino me fez conhecer duas  cidades que certamente
não constavam do meu  roteiro turístico: Auburn, famosa por sua forte equipe de futebol americano universitário, e Opelika, onde ficamos instalados.
Pelo menos, acabou sendo interessante vivenciar como vivem os sulistas, suas tradições, sua culinária e sua hospitalidade – algo que cultivam com
muito carinho.

Por ter vivido  a sensação de dois furacões no Sul da Flórida, optamos pela evacuação. Economicamente não foi a melhor opção, pois gastamos um dinheiro
inesperado, porém culturamente foi bem enriquecedor.

Portanto, esta edição do  blog respeita a dor que os moradores da Flórida estão passando – sobretudo aqueles que moram  na Florida Keys e na Costa Oeste –
e dedica este post a Alabama, principalmente Auburn e Opelika que nos receberam tão bem durante um  período de muita apreensão.
Por alguns dias, estas cidades se toranaram para nós Sweet  Home Alabama!
dicasdotozzi-1

 

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Sobre Tozzi (66 artigos)
A class of 1979 graduate from FAAP with over 30 years’ experience, he has also worked for 5 years for Grupo O Estado de S.Paulo/Jornal da Tarde, all the while also freelancing for publications such as Exame, and magazines such as Grupo Ideia, editora da IstoÉ, e Química e Derivados, da editora QD. In the media relations world, he worked for Burson Marsteller in São Paulo, one of the sector's most highly regarded companies wherein he held the title of Gerente de Imprensa and fulfilled the job function of coordinating the activities of his fellow colleagues. In the United States, he has become known as one of the nation’s top Portuguese-speaking journalists having in his curriculum the experience of being editor-in-chief of such publications such as Florida Review in Miami and AcheiUSA in Broward. Furthermore, in South Florida, he collaborated on the journal, O Estado de S.Paulo, with the radio station CBN, and was editor of Sony magazine’s Portuguese branch. His work in television includes CBS Telenotícias, which provided Brazil with journalistic information and PSN, a sports station, wherein he produced the tennis broadcasts. Finally, he also worked for RIT TV as a director of journalism. He worked as a color commentator for NBA games, which are broadcast live to Brazil via TNT (Canal Space Brasil) and also a weekly contributor to the website Direto da Redação. He is a translator who counts on a client base which includes the likes of Motorola, Wacom, and ViewSonic among others.

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