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Eleição no Exterior


…voltando ao tema principal, é super importante participar do processo eleitoral brasileiro, mesmo morando fora…


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É comum ouvir muitos brasileiros que vivem no País comentarem em tom crítico que compatriotas que moram no Exterior não tem, digamos, “moral” para se meter nos assuntos internos da Nação, porque simplesmente “abandonaram o barco”. Outros, por sua vez, invejam a situação dos expatriados e invariavelmente externam sua opinião com um “você é que teve sorte, está longe deste inferno”.

Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Ora, o fato de morar em outro país não nos torna fujões ou mercenários. Apenas, vive-se em outro país por uma série de fatores: ter um cônjuge estrangeiro, proposta profissional, aperfeiçoamento educacional, enriquecimento cultural ou mesmo pelo simples fato de desejar uma vida em um lugar mais estável do ponto de vista socioeconônico e cultural. Seja lá qual for a razão, isto não faz – ou não deveria fazer – do expatriado um alienado que não quer mais saber nada sobre o que acontece no país em que nasceu. É, sim, importante saber o que está acontecendo, se informar e participar do processo político, porque você pode sair do seu país nativo, mas ele nunca sairá de você. É uma marca que carregaremos durante nossa existência. Há exemplos clássicos de outros países, como Itália e Portugal, onde a participação dos expatriados é significativa no processo eleitoral. Em termos de Brasil, a participação dos eleitores que moram no Exterior ainda é pouco significativa, porém, não menos importante.

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Do outro lado, sinto dizer, morar no Exterior não é o passaporte para a felicidade. Sempre seremos vistos como estrangeiros, temos de lutar por posições em condições de desigualdade com os nativos e reaprender a viver em uma sociedade diversa para que possamos nos inserir nela e absorver tudo o que nos é oferecido – de bom e de ruim. Em linhas gerais, o aspecto bom é viver em países com sociedades mais estruturadas que fornecem condições básicas para seus moradores, conhecer novas culturas, aprender outros idiomas e oferecer aos filhos oportunidades de crescimento em um ambiente global. O lado ruim pode ser traduzido como separar-se da família e dos amigos – algo atenuado atualmente pela proximidade propiciada pelas mídias sociais -, deixar de cultivar antigos hábitos que tanto prezávamos, participar das festividades que desde criança gostávamos (Carnaval, Festas Juninas etc.) para tentar curtir festividades que eram totalmente desconhecidas até então. Para ficar na realidade dos Estados Unidos, onde moro, entrar no clima do Halloween – que será comemorado esta semana – e do Thanksgiving, um feriado que no Brasil não tem quase nenhuma expressão. Em suma, como tudo na vida, há prós e contras em se morar no Exterior.

Entretanto, voltando ao tema principal, é super importante participar do processo eleitoral brasileiro, mesmo morando fora. No meu caso, esta é minha sexta eleição presidencial em que participo como expatriado, sendo que nas quatro últimas trabalhei como mesário – duas delas, a última e atual na condição de presidente de uma das seções eleitorais de Miami. Muitas pessoas que participam como mesários, assim como eu, se inscrevem como voluntárias, pelo simples fato de considerar importante estar conectadas com o processo cívico brasileiro. Outras são convocadas pela equipe responsável pelo sistema eleitoral do Consulado Geral do Brasil em Miami.

 

Na eleição de 2014, o Colégio Eleitoral de Miami deu a Aécio Neves, então candidato do PSDB e oposição à reeleição de Dilma Rousseff do PT, a maior margem de votos em todos colégios eleitorais. No primeiro turno de 2018, Jair Bolsonaro foi o preferido dos eleitores da Flórida – vale lembrar que este ano o Colégio Eleitoral da Flórida foi desmembrado, com vários eleitores que moram no Centro e no Norte da Flórida transferindo seus títulos de eleitor para Orlando. Como escrevi o artigo antes da apuração final, confiarei nas pesquisas eleitorais que apontam Jair Bolsonaro como o vencedor do pleito. Portanto, esta deverá ser a primeira eleição em que os eleitores da Flórida ajudaram a eleger o novo presidente do Brasil.

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Simpatizantes das candidaturas de Haddad e de Bolsonaro ironizam os locais onde cada um deles deve ser o mais votado. Haddad deve ter obtido mais votos em Paris e outras cidades europeias, além de Palestina e Cuba, enquanto Bolsonaro provavelmente foi mais votado nos Estados Unidos, Canadá e Israel. Ironicamente, porém, o candidato oposicionista deve ter sido o mais votado em Caracas, apesar da simpatia do PT pelo governo de Maduro – ou por isto mesmo. Conversando com venezuelanos que vivem aqui no Sul da Flórida, todos são unânimes em afirmar: “Não cometam o mesmo erro que cometemos. Votem no candidato da oposição para evitar o sofrimento pelo qual estamos passando”. Aliás, se arrependimento matasse, os petistas mais radicais estariam todos mortos de arrependimento por ter apoiado o regime de Chávez e Maduro que levou a Venezuela ao caos e serviu como mote de campanha para assustar os brasileiros que votaram em Bolsonaro com medo de o Brasil seguir o (mau) caminho de seu vizinho de América do Sul.

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Agora, só nos resta torcer para que Bolsonaro faça um bom governo. E à oposição que seja vigilantes sem, no entanto, bombardear todos projetos para provocar o clima do “quanto pior, melhor”. Afinal, um país bem governado beneficia todos os brasileiros: os apoiadores, os opositores e até mesmo nós, os expatriados.

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Sobre Tozzi (117 artigos)
A class of 1979 graduate from FAAP with over 30 years’ experience, he has also worked for 5 years for Grupo O Estado de S.Paulo/Jornal da Tarde, all the while also freelancing for publications such as Exame, and magazines such as Grupo Ideia, editora da IstoÉ, e Química e Derivados, da editora QD. In the media relations world, he worked for Burson Marsteller in São Paulo, one of the sector's most highly regarded companies wherein he held the title of Gerente de Imprensa and fulfilled the job function of coordinating the activities of his fellow colleagues. In the United States, he has become known as one of the nation’s top Portuguese-speaking journalists having in his curriculum the experience of being editor-in-chief of such publications such as Florida Review in Miami and AcheiUSA in Broward. Furthermore, in South Florida, he collaborated on the journal, O Estado de S.Paulo, with the radio station CBN, and was editor of Sony magazine’s Portuguese branch. His work in television includes CBS Telenotícias, which provided Brazil with journalistic information and PSN, a sports station, wherein he produced the tennis broadcasts. Finally, he also worked for RIT TV as a director of journalism. He worked as a color commentator for NBA games, which are broadcast live to Brazil via TNT (Canal Space Brasil) and also a weekly contributor to the website Direto da Redação. He is a translator who counts on a client base which includes the likes of Motorola, Wacom, and ViewSonic among others.

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