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Festa de campeão com político pode?


Com o título conquistado antecipadamente após a vitória sobre o Vasco da Gama, a partida final contra o já rebaixado Vitória no Allianz Parque tinha tudo para ser uma grande festa para a coletividade palmeirense. Porém, a presença de Jair Bolsonaro distribuindo medalhas aos campeões gerou bastante polêmica – com muita gente adorando, outros tanto condenando e alguns não dando muita importância ao fato.

Na condição de palmeirense militante, sinto-me em condições de avaliar o episódio. Para entender o processo, precisamos ir por partes.

Presidente eleito cumprimenta Felipão pela conquista do título

• Jair Bolsonaro foi convidado de honra para assistir à partida na tribuna do Allianz Parque, o remodelado estádio da Sociedade Esportiva Palmeiras, pelos dirigentes do clube e também pelos diretores da W Torre, construtora que reformou o antigo Parque Antarctica em troca do direito de explorar o local comercialmente por um período de 30 anos. Findo este período, dos quais já se transcorreu 5 anos, termina o regime de comodato e o Palmeiras fica integralmente com a Arena, construída nos moldes das modernas arenas multiusos vistas nos principais países do mundo. O presidente eleito aceitou o convite do clube, mas declinou do convite formulado pela construtora. Ponto para Bolsonaro. Afinal, é o clube de seu coração (Bolsonaro, que nasceu na região de Campinas-SP, nunca escondeu sua predileção pelo Alviverde paulista – embora tenha sido fotografado usando camisas dos clubes cariocas, onde fez sua carreira política). Aceitar convite da W Torre poderia provocar constrangimento em caso de uma futura investigação de corrupção;

• O convite para descer da tribuna e ir ao gramado partiu dos dirigentes da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), com Rogério Caboclo à frente. Caboclo já está designado como o próximo presidente da CBF, portanto, quer ficar em boas graças com o futuro mandatário da nação. A única diferença entre os dois parece ser clubística, porque Caboclo é declaradamente torcedor do São Paulo FC;

 

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• Tite condenou a posição de Luiz Felipe Scolari e de alguns jogadores, mormente Felipe Melo, que bateram continência e saudaram o capitão reformado do Exército de maneira esfuziante. Para ele, misturar futebol com política é incompatível.

 

 

 

 

Com esses dados à disposição, chego à seguinte conclusão. Bolsonaro errou, sim, ao aceitar o convite de participar da festa de premiação e entrega da taça aos jogadores. Afinal, o capitão que todos queriam ver levantando a taça era Bruno Henrique e nunca o capitão reformado que precisa se preparar para atuar como campeão à frente do Brasil. Ele e seu time de  ministros têm muito a fazer, sobretudo agora que os números apontam o aumento de pobreza no país e  a crescente desigualdade social.

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Atender ao convite para assistir à partida na tribuna de honra acho bastante pertinente, porém, misturar-se à festa foi totalmente inconveniente. Até porque na torcida palmeirense há muita gente que votou nele e vibrou com isto do mesmo modo que há muitos torcedores que não votaram nele e não apoiam seu discurso e seus métodos de fazer política. Tanto que surgiu até mesmo um abaixo-assinado com alguns palmeirenses ilustres criticando a postura de Bolsonaro. Portanto, poderia – e deveria – ter evitado este desgaste ao se manter equidistante da comemoração no gramado. Até porque ele ainda se convalesce do atentado sofrido durante a campanha eleitoral. Ora, se alegava não ter condições médicas para participar de um debate, muito menos teria para estar em um gramado com atletas, dirigentes e torcedores enlouquecidos com a conquista. Por fim, aceitou participar de uma festa com a CBF, entidade que não se notabiliza por sua retidão e honestidade. Ou seja, ficou ao lado de uma instituição que poderá ser punida por desmandos administrativos.

Por fim, o caso Tite. Admiro o trabalho do técnico Tite, um estudioso do futebol que sabe como conduzir uma equipe. Em 31 partidas sob seu comando, a Seleção Brasileira obteve 25 vitórias, teve 4 empates e sofreu apenas duas derrotas – uma em amistoso contra a Argentina e a outra contra a Bélgica, na fatídica eliminação da nossa seleção nas quartas de final da Copa da Rússia este ano. Ele foi infeliz ao meter o bedelho onde não era chamado. Criticou a postura de Felipão e do próprio presidente eleito e afirmou que não compactuaria com isto. Suas atitudes, porém, contradizem o discurso. Ele foi fotografado abraçado a Lula ao lado da taça de campeão mundial conquistada no Japão. Dissera antes que jamais aceitaria treinar a Seleção Brasileira enquanto os dirigentes corruptos estivessem à frente da entidade. Pois bem, não só aceitou o cargo, como também ficou cheio de afagos com Marco Antonio Del Nero, que não prima exatamente pela transparência em sua atividade pública. É a mais lídima tradução do ditado: “Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço!”

 

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Publicado previamente no ACHEIUSA

Veja a minha entrevista com a EVEREST
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Sobre Tozzi (130 artigos)
A class of 1979 graduate from FAAP with over 30 years’ experience, he has also worked for 5 years for Grupo O Estado de S.Paulo/Jornal da Tarde, all the while also freelancing for publications such as Exame, and magazines such as Grupo Ideia, editora da IstoÉ, e Química e Derivados, da editora QD. In the media relations world, he worked for Burson Marsteller in São Paulo, one of the sector's most highly regarded companies wherein he held the title of Gerente de Imprensa and fulfilled the job function of coordinating the activities of his fellow colleagues. In the United States, he has become known as one of the nation’s top Portuguese-speaking journalists having in his curriculum the experience of being editor-in-chief of such publications such as Florida Review in Miami and AcheiUSA in Broward. Furthermore, in South Florida, he collaborated on the journal, O Estado de S.Paulo, with the radio station CBN, and was editor of Sony magazine’s Portuguese branch. His work in television includes CBS Telenotícias, which provided Brazil with journalistic information and PSN, a sports station, wherein he produced the tennis broadcasts. Finally, he also worked for RIT TV as a director of journalism. He worked as a color commentator for NBA games, which are broadcast live to Brazil via TNT (Canal Space Brasil) and also a weekly contributor to the website Direto da Redação. He is a translator who counts on a client base which includes the likes of Motorola, Wacom, and ViewSonic among others.

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