Anúncios
DicasNews

2018: o ano da transição


photo of lighted christmas tree at night

Photo by Oleg Magni on Pexels.com

Como sempre ocorre, toda época de virada de ano gera expectativa de tempos melhores para as pessoas. Em função disto, os homens criaram ritos para exorcizar as agruras do passado e valorizar a chegada do futuro. Para isso, vale tudo. Assim, as superstições cumprem o papel de agentes transformadores das vidas das pessoas. E é um tal de tomar sopa de lentilhas, subir escadas contando dinheiro, usar calcinhas de várias cores – amarelo para dinheiro (ouro), vermelho para paixão e branco para paz – e, claro, espoucar champanhe na virada de cada ano. Mas será mesmo que isto significa realmente mudanças?

Related image

Na condição de cético incorrigível, analiso a condição com frieza. Afinal, foram vários anos cumprindo estes rituais (e tantos outros) para constatar que a única coisa que realmente muda na vida das pessoas é a data no calendário. Além do mais, como aferir o que realmente dá resultado se fizermos as premissas que se mantêm desde os tempos de nossos avós e pululam nas redes sociais. É possível falar em atitude positiva para os pais das crianças do Iêmen que estão morrendo de desnutrição? É possível crer que os órfãos da Síria acreditem em Papai Noel? É possível para os filhos dos imigrantes latino-americanos não viver amedrontados ao se deparar com adultos bem armados a ameaçar seus pais e eles mesmos?

Claro que ao assumir essa postura praticamente renego todas religiões, pois todas pregam a fé como removedora de obstáculos. Na verdade, até me penitencio por não possuir esta fé inabalável. Talvez fosse mais fácil para encarar a dureza da vida. Entretanto, o ceticismo é um forte impedimento para eu me entregar de corpo e alma às experiências religiosas. Até reconheço que algumas religiões cumprem um papel social importante, sendo, em muitos casos, provedoras de serviços que deveriam ser providos pelos governos – e que infelizmente pecam (sem trocadilho) por não entregar.

Palavra do Publisher

Para finalizar, não sou ateu, no sentido epistemológico da palavra. Creio, sim, que há uma força superior que comanda o universo e criou todas as formas de vida. Apenas não me deixo levar por falsos profetas, que povoam todas religiões. O caso mais escabroso surgiu neste mês de dezembro com as denúncias de centenas de mulheres acusando o alcunhado João de Deus de ser um molestador sexual. Ou seja, o curandeiro e ex-líder espírita se junta à turma dos pastores, padres, rabinos, xamãs, hinduístas, budistas que usam suas ascendências sobre os fiéis para escravizá-los e explorá-los. De novo, não se pode dizer que todos gatos são pardos. A maior parte dos líderes espirituais crê em fazer um trabalho missionário associado à inclusão social – algo que merece aplausos.

Image result for joao de deus medium brasileiro

Por falar em, ele foi um dos grandes temas de 2018, pois ao ser desmascarado jogou por terra a idolatria que se formava ao seu redor. Serviu também para que algumas pessoas fizessem um mea culpa por tê-lo enaltecido (Xuxa gravou um depoimento pedindo desculpas às vítimas dele). Enfim, a fama de curandeiro deu lugar à realidade na qual os policiais encontraram em sua residência armas, grande quantidade de dinheiro em espécie e outros itens comprometedores que conflitam com a versão de um ser iluminado com dons mediúnicos.

Os mais idosos hão de se lembrar que em 2018 completou-se o ciclo de meio século de um dos anos mais conturbados do século 20: 1968. Naquela época, conflitos na França, com jovens dominados pelos conceitos socialistas; nos Esatados Unidos, com os hippies contestando o status quo e sobretudo pedindo a retirada das tropas americanas do Vietnã; e no Brasil viveu-se o início de um período obscurantista com a promulgação do famigerado AI 5 (Ato Institucional nº 5), que dava às forças da repressão carta branca para prender e torturar os inimigos do regime ao mesmo tempo em que censurava a imprensa para que nada fosse divulgado. Durante esse período, vicejaram nomes de torturadores como Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Image result for Jair Messias Bolsonaro

Ironicamente, esse torturador foi enaltecido como herói por Jair Messias Bolsonaro, eleito presidente da república do Brasil com uma votação estrondosa. Ou seja, os brasileiros estão querendo o passado de volta porque o presente causou muita decepção e acreditam que o futuro possa ser melhor, mesmo usando a mortalha do passado. Algo surrealista. Porém, como as tradicionais passagens de ano no calendário, crer ainda é a melhor opção, não necessariamente o melhor remédio.

É verdade que sua eleição se deu graças ao fracasso das administrações esquerdistas que se preocuparam mais com o politicamente correto do que em colocar o país nos eixos. O discurso de ódio propagado pelos petistas e seus aliados esquerdistas, propugnando lutas de classe e enaltecendo as dissensões sociais, agora mudou de lado. Hoje, quem está adotando esta estratégia são os seguidores de Bolsonaro. Se há algum otimismo com relação à melhoria econômica (até porque ficar pior do que o período Dilma é muito difícil), a questão social causa preocupação. Estão a fabricar fantasmas e vendo comunismo em tudo. Pois é, os extremismos se completam. Na época da ditadura, havia um axioma que dizia que “comunistas comem criancinhas”. Já no tempo do esquerdismo, quem comia criancinhas eram “a burguesia e a zelite”. Em suma, extrema esquerda e extrema direita são duas faces da mesma moeda. O duro é que havia melhores opções pleiteando o cargo.

Bolsonaro e sua turma estão apostando tudo no estreitamento de relação com os Estados Unidos de Donald Trump e sua política nacionalista. Se, do ponto de vista econômico, pode ser bom, desde que não despreze os antigos aliados e parceiros comerciais, politicamente pode ser um desastre. A derrota sofrida por Trump nas eleições de 2018 dividirá o poder no país, portanto, ele terá de negociar mais com os democratas que passarão a ser maioria na Câmara Federal se quiser aprovar seus projetos de lei. Aliás, este pêndulo de divisão de poderes Legislativo e Executivo é uma característica nos governos dos Estados Unidos, dominado por dois partidos poderosos: Republicano e Democrata.

Image result for trump republican

Diante desse cenário, alinhar-se inquestionavelmente à Donald Trump pode ser uma tática perigosa. Importante reforçar os relacionamentos comercial, militar e de cooperação social com os EUA sem, no entanto, deixar de lado uma aproximação com os líderes democratas, pois, em caso de vitória da oposição em 2020, o Brasil não ficaria com a brocha na mão. E este pragmatismo se deve repetir com relação aos países dos demais continentes, sobretudo os da América Latina, e murchando, é claro, o ideológico e inefetivo Foro de São Paulo.

Image result for good new year

 

Mesmo com todas essas interrogações, voltamos ao ponto inicial. Acreditar em um futuro melhor é a premissa que serve de combustível para que possamos viver em busca de nossos objetivos e de nossos sonhos.

tozzi ph

 

 

Sendo assim, desejo um 2019 cheio de realizações, livre de doenças, de dívidas, de guerras, de conflitos e de desastres naturais!

 

dicasdotozzi-1-e1497228991565(1)

Matéria publicada préviamente no ACHEIUSA
Anúncios
Sobre Tozzi (130 artigos)
A class of 1979 graduate from FAAP with over 30 years’ experience, he has also worked for 5 years for Grupo O Estado de S.Paulo/Jornal da Tarde, all the while also freelancing for publications such as Exame, and magazines such as Grupo Ideia, editora da IstoÉ, e Química e Derivados, da editora QD. In the media relations world, he worked for Burson Marsteller in São Paulo, one of the sector's most highly regarded companies wherein he held the title of Gerente de Imprensa and fulfilled the job function of coordinating the activities of his fellow colleagues. In the United States, he has become known as one of the nation’s top Portuguese-speaking journalists having in his curriculum the experience of being editor-in-chief of such publications such as Florida Review in Miami and AcheiUSA in Broward. Furthermore, in South Florida, he collaborated on the journal, O Estado de S.Paulo, with the radio station CBN, and was editor of Sony magazine’s Portuguese branch. His work in television includes CBS Telenotícias, which provided Brazil with journalistic information and PSN, a sports station, wherein he produced the tennis broadcasts. Finally, he also worked for RIT TV as a director of journalism. He worked as a color commentator for NBA games, which are broadcast live to Brazil via TNT (Canal Space Brasil) and also a weekly contributor to the website Direto da Redação. He is a translator who counts on a client base which includes the likes of Motorola, Wacom, and ViewSonic among others.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: